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Febre e seus signiifcados

Nosso organismo como um todo é mantido em harmoniosa atividade vital, pela lei básica de conservação, que se estabelece através dos mecanismos de auto-regulação. Quando este organismo se vê agredido por um agente desencadeante qualquer, surgem nele reações, que trazem um caráter eminentemente individual. Quando o fator desencadeante é um agente infeccioso, produzindo uma interação agente – hospedeiro – meio, que se instala no hospedeiro dada ao desequilíbrio da energia vital deste, a reação dos mecanismos defensivos do organismo se traduz por três fenômenos básicos: 1) febre; 2) alterações funcionais, da estrutura e dos órgãos, variáveis de um caso a outro; 3) formação dos anticorpos.

Analisemos o fenômeno febre. A febre consiste num aumento da temperatura de nosso corpo, pela alteração funcional do centro termo-regulador do hipotálamo (pequena região da base do cérebro). Cada animal tem uma temperatura corporal que lhe é própria, sendo constante nos mamíferos, entre os quais está o ser humano, qualquer que seja a temperatura ambiental. Para que essa temperatura se mantenha, são necessárias três condições: a) produção contínua de calor (termogênese), através da queima da glicose (açúcar), ácidos graxos e aminoácidos (metabolismo); b) possibilidade de eliminação do calor não necessário ao organismo e c) mecanismos reguladores das duas condições anteriores.

É através dos estímulos emanados do hipotálamo, que a regulação da produção contínua de calor se faz. Qualquer condição que altere os mecanismos reguladores da termogênese, determina redução ou aumento da temperatura corporal, resultando respectivamente a hipotermia e a hipertermia. A hipotermia é o estabelecimento de uma temperatura corporal abaixo do valor considerado normal, isto é, 36,5 medido na axila. A hipertermia pode ser febril e não febril. A não febril consiste apenas em elevação da temperatura corporal sem outras alterações, de modo que o indivíduo não sente suas manifestações, como acontece, por exemplo, na insolação, que pode naturalmente servir de fator desencadeante para uma série de sintomas mórbidos posteriores, dependendo do momento vital do indivíduo.

A febre ou hipertermia febril (pirexia) é um complexo conjunto de alterações funcionais no qual toma parte o sistema nervoso, diversos aparelhos e modificações do metabolismo. Nas moléstias infecciosas a febre pode se manifestar basicamente em três períodos: a) período inicial ou estado do calafrio; b) período do calor e c) período da sudorese (transpiração).

a) O período inicial pode apresentar-se de vários modos, sempre com um caráter absolutamente individual, em certos casos a temperatura sobe bruscamente e rapidamente, em outros casos essa ascensão é lenta atingindo o máximo em alguns dias. O início pode ser assinalado por arrepios de frio ou calafrios, que são tanto mais intensos quanto mais rápida for a subida da temperatura.

b) O período de calor caracteriza-se pelo ponto mais alto atingido pela temperatura. Este período pode ser contínuo durante todo o dia ou vários dias e pode variar no mesmo dia ou dias sucessivos, resultando os diversos tipos de febre.

c) O período de sudorese constitui a queda da temperatura que se sucede ao período do calor, resolvendo-se em algumas horas ou lentamente, em alguns dias. Este período representa o esforço do mecanismo termo-regulador a reconduzir a temperatura corporal ao normal, pois a evaporação do suor baixa a temperatura.

Geralmente, após ter-se normalizado a temperatura e o doente estar em franca convalescência, há uma nova ascensão da temperatura que dura um dia ou no máximo dois, que é conhecido pelo nome de febre póstuma, porque se manifesta depois que “morreu” a moléstia. Este pico de febre é de grande importância para o organismo, porque corresponde à instalação da imunidade.

Segundo o grande patologista Prof. Dr. Walter Edgard Maffei afirma em seu “Os Fundamentos da Medicina”, muito se tem discutido sobre este assunto, de modo que, segundo uns, a febre representaria o esforço do organismo em criar condições impróprias ao agente e, portanto, um elemento útil no combate à infecção. Segundo outros, pelo contrário, a febre seria um sintoma prejudicial ao organismo, citando as diversas alterações que ela pode determinar e os perigos dela decorrentes, preconizando para isso os medicamentos antipiréticos (antitérmicos), atribuindo-lhes um efeito benéfico nos doentes e o desaparecimento dos sintomas mais perigosos. Entretanto a observação dos fatos da clínica diária e as estatísticas sobre a mortalidade das moléstias infecciosas tratadas com e sem antipiréticos, não mostram qualquer diferença significativa em favor do tratamento com os antipiréticos.

A observação imparcial, científica, mostra que nos indivíduos desnutridos, alcoolistas, as moléstias infecciosas evoluem sem febre e até com hipotermia e, por isso, são sempre fatais; são também graves as moléstias que, em certos indivíduos, evoluem com febre baixa quando habitualmente deveriam ter febre elevada, mostrando a precariedade dos seus mecanismos defensivos.

A febre, porém, constitui a reação dos mecanismos defensivos do organismo ao agente mórbido, pois, o aumento da temperatura estimula a atividade fagocitária dos leucócitos e a produção dos anticorpos, atestado pelo aumento das gamaglobulinas, o que está em relação com o aumento da destruição proteica e, além disso, a destruição das toxinas bacterianas.

Como a febre representa o descontrole do centro termo-regulador do hipotálamo, não se deve dar banho ao doente, principalmente quando se trata de criança, pois, devido à labilidade dos mecanismos de adaptação nesses casos, pode resultar o colapso e a morte.

Do mesmo modo, se o indivíduo tiver um terreno epiléptico heterozigoto (pré dispostos geneticamente), a infecção poderá ser a causa desencadeante das crises convulsivas, sempre absolutamente benéficas, fato este mais comum em crianças e erroneamente rotuladas de “convulsões febris”, que podem ocorrer com febres altas, baixas ou sem febre, ou mesmo pela subida ou descida rápida da temperatura.

A convulsão, como a febre é uma reação do organismo na tentativa do reequilíbrio, e como, deve ser respeitada. Geralmente, o quadro que se forma durante a convulsão costuma provocar receio nas pessoas, por isso manter a calma é a primeira medida que se deve tomar para melhor auxiliar as pessoas que as têm. Basta que tomemos os seguintes cuidados: virar o paciente de lado ou de bruços; verificar se não existe nada lhe apertando ou obstruindo as vias aéreas; tomar cuidado com a cabeça quando ele estiver se debatendo e, posteriormente, procurar um médico.

A febre em si portanto representa um complexo de alterações do organismo no sentido de desencadear o processo de cura, sendo que a atenção deve estar voltada para a totalidade dos sintomas mentais, locais e gerais do indivíduo, sendo que o abaixamento puro e simples da temperatura deve ser uma consequência necessária e suficiente do retorno do organismo como um todo à harmonia vital. Logo, a intervenção intempestiva nesse processo, isto é, a supressão da febre através de antitérmicos, representa uma agressão, às vezes fatal, aos nossos mecanismos defensivos em sua luta pela preservação da vida.

A febre portanto é um dos sinais de que o organismo está em estado de defesa e necessita de cuidados e atenções. Não se esqueça que a criança, no geral, faz mais febre que o adulto, por ter mais energia, saúde melhor e portanto mais condição de defesa. Já o idoso faz quadros infecciosos muito mais graves e em boa parte das vezes, sem febre, o que mostra sua baixa energia e condição de defesa, portanto tratando-se de caso mais grave.

Com febre o paciente deve permanecer em repouso, sem TV, sem banho, sem aplicação de compressas ou antitérmicos e em dieta. Deve permanecer em casa, vestido e agasalhado confortavelmente e sem exageros. Faça uma boa hidratação e dieta leve.

Dieta especial em casos de febre/vômitos

A – CRIANÇAS MAIORES DE DOIS ANOS E ADULTOS:

1- Suspender o uso de leite, carnes de todos os tipos, ovos, chocolate, vegetais e frutas crus de qualquer tipo, mesmo sucos.

2- Mantenha a hidratação. Ofereça alternadamente e sempre em pequenas quantidades (com vômitos ofereça a colheradas), água pura, solução hidratante diluída e banchá ou chá de maçã ou de arroz.

Soluções hidratantes: água de coco verde, fresca ou a comercial e soluções comerciais sem corantes artificiais. Todas contendo sais de sódio e de potássio e açúcar, que devem sempre ser diluídas a 20% de água (8 partes da solução e 2 partes de água pura). Na sua falta preparar solução caseira, diluindo em meio litro de água pura 1 colher das de café rasa de sal de cozinha (se possível sal marinho) e outra cheia de açúcar.

3- Ofereça alimentos leves e ricos em calorias: frutas cozidas ou assadas, sopas de legumes e raízes (chuchu ou abobrinha, cará ou inhame ou mandioquinha), arroz, macarrão, balas de caramelo ou de mel, banchá ou chás de maçãs ou de arroz ligeiramente adoçados com açúcar mascavo ou mel, bolachas de água e sal ou de maisena, ou torradas com mel ou geléia de frutas. Ofereça mas não insista e dê a curtos intervalos, em pequenas quantidades de cada vez, intercale com a hidratação.

 B – CRIANÇAS DE PEITO:

Mantenha apenas o peito. Caso haja vômitos repetidos, dê apenas um peito a cada mamada. A mãe deve submeter-se a uma dieta cuidadosa, evitando alimentos mais gordurosos, frutas cruas, alimentos ácidos ou muito temperados e tomando mais água pura. Para crianças com mais de 3 meses ofereça água pura nos intervalos das alimentações: 1 colher das de café a cada meia hora e na própria colher, evitando mamadeira ou chuquinha. Faça contato com o médico.

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