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História da Homeopatia

A História da Homeopatia

 A história da Homeopatia se confunde com a própria história de Hahnemann, e a origem dos seus fundamentos e leis se confunde com a história do próprio ser humano.

A Homeopatia inicialmente se cria e desenvolve-se pela genialidade de Hahnemann. É ele quem a intui e a desenvolve num corpo doutrinário, a pratica inicialmente sozinho, a ensina a colegas interessados, em sua casa e na universidade, escreve sobre ela em revistas e jornais médicos e publica livros. Vive-a integralmente dia a dia por mais de 40 anos, fazendo-a confundir-se com sua própria pessoa. Nesses mais de 40 anos, reescreve-a algumas vezes, mantendo os mesmos princípios fundamentais, mas alterando-a ou completando-a pela observação constante em sua prática médica.

Como Hahnemann viaja por várias cidades da Alemanha, é ali que primeiro a Homeopatia é praticada em várias localidades. São alemães também os seus discípulos que inicialmente a propagam para a América e para a Inglaterra. Morando por último na França, forma discípulos que a propagam para os países latinos.

No Brasil foi introduzida por um discípulo francês, Benoit Jules Mure, que aqui chegou em 1840. Mure vem inicialmente para introduzir a doutrina social de Charles Fourier (1772/1837); para tanto Mure consegue o apoio do governo brasileiro de D. Pedro II e vai para o interior de Santa Catarina onde funda um falanstério, o qual não vinga. Volta então ao RJ no dia 21 de novembro de 1840, onde inicia o ensino, a prática e a propagação da Homeopatia. Por este motivo, esta data foi eleita como o dia da homeopatia no Brasil…

A Homeopatia rapidamente se propagou no Brasil, principalmente na Bahia, Pernambuco e no Rio de Janeiro. No final do século XIX foi abraçada pelo movimento positivista brasileiro através de seus adeptos do instituto militar de engenharia, no Rio de Janeiro. Disso resulta um grande apoio oficial do governo republicano à Homeopatia, reconhecendo o seu ensino e a sua prática, criando enfermarias no Hospital Central do Exército e no Hospital da Marinha, no começo do século passado. Também desse fato aparecem grandes figuras de nossa cultura ligadas à Homeopatia ou que mesmo chegam a praticar, como Rui Barbosa, que teria dito “se eu tivesse um diploma de médico, seria homeopata”, ou como Monteiro Lobato, que vem praticar a Homeopatia na cidade de Tremembé, no interior do estado de São Paulo. Também por essa adoção, aparece um grande número de homeopatas entre oficiais e engenheiros do Exército, que exercem a medicina ao deixarem o serviço ativo dessa força.

A Homeopatia no Brasil mantém sua força e seu crescimento até o final da década de 1920, quando começa lentamente o seu declínio, talvez devido ao advento da era da terapêutica química na medicina, pois o aparecimento de armas terapêuticas como as sulfas no início e os antibióticos depois, encontra os homeopatas despreparados filosoficamente para o exercício puro da Homeopatia, positivistas que eram em sua maior parte, e não vitalistas-animistas como exige o pensamento homeopático e o era o seu criador.

Esse estado de coisas tem tal evolução que nos anos sessenta praticamente já não existe mais a Homeopatia no Brasil, que nessa época só sobrevive nas pessoas de alguns poucos abnegados, principalmente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Dentre eles despontam ainda nessa década nomes como os de Abraão Brickiman, Alfredo Di Verniere, Paiva Ramos e em especial pela sua combatividade e inteira dedicação à causa homeopática durante toda a sua vida médica, David Castro, talvez o maior propagador da Homeopatia depois dos anos da segunda grande guerra e até a sua morte em 1980.

O renascimento da Homeopatia brasileira deveu-se principalmente, dentre os homeopatas já falecidos, ao trabalho incansável de David Castro e a sua fase de formação de novas mentalidades, aos cursos de Homeopatia ditados na Associação Paulista de Medicina pelo homeopata argentino Francisco Xavier Eizayaga que aceitou o convite para esses cursos justamente por sua ligação com David Castro, que primeiro o trouxera ao Brasil.

A Homeopatia no Brasil despontou entre as mais adiantadas em todo o mundo. Houve centros de formação e propagação em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Curitiba, em Recife. Em São Paulo, o grande centro renovador da Homeopatia brasileira, concentrou a maior parte dos homeopatas brasileiros, uma grande associação e o único hospital homeopático da América do Sul nos anos de 1981 a 1991, o Centro Médico Homeopático de São Paulo “David Castro”, centro de ensino médico-homeopático, com estágio para médicos, ambulatório, pronto socorro, maternidade e leitos hospitalares. No Rio de Janeiro se desenvolveu rico núcleo de médicos homeopatas sob influência da escola argentina de Paschero; em Curitiba, junto à associação médica local, surgiu um forte núcleo homeopático, também sob forte influência argentina, tanto de Paschero quanto de Ezayaga.

Fruto de um trabalho diuturno dos homeopatas brasileiros, o órgão oficial da medicina brasileira, o Conselho Federal de Medicina, reconheceu a Homeopatia como uma especialidade médica pela portaria número 1000 de 1980. Em 1988 a Constituição brasileira coloca a Homeopatia oficialmente no SUS (estipula a obrigatoriedade de haver um médico homeopata em cada posto de saúde). Portanto a Homeopatia no Brasil é uma prática médica oficial e reconhecida, com custo mais baixo que a média no atendimento convencional e com maior qualidade de atendimento e relacionamento médico-paciente.

A Homeopatia brasileira atualmente é exercida principalmente por homeopatas pluralistas e organicistas, que a limitam aos casos médicos banais, ditos sem maior gravidade. Poucos são os verdadeiros homeopatas, de formação hahnemanniana, como nos ensinou o saudoso Dr. Galvão (1940/2000), fundador do Grupo de Estudos Homeopáticos de São Paulo- Benoit Mure; diretor do Hospital Homeopático “David Castro” no período de 1981 a 1991; médico militar pela escola de saúde do exército; vice presidente para o Brasil da Liga Médica Homeopática Internacional- biênio 1979/1980; idealizador e criador da farmácia Bento Mure-1980; diretor e revisor da primeira tradução do livro Doenças crônicas de Samuel Hahnemann, no Brasil; secretário da revista “Similia” 1978/1999; ex-diretor clínico do ambulatório da Associação Paulista de Homeopatia -1977; ex-chefe da enfermaria de pediatria e do serviço de berçário do Hospital Geral do Exército em SP- 1973; responsável pela introdução da escala 50 milesimal no Brasil -1978.

No mundo, atualmente a Homeopatia é praticada na Europa (Alemanha, França, Inglaterra, Espanha, Suíça), EUA, Índia (país onde tem o maior apoio oficial e é exercida oficialmente pela maior parte dos médicos do governo), Brasil, Argentina e México. Os seus maiores centros de cultura e irradiação vitalistas são o México e a Argentina.

Apesar de todos os esforços e brilhantes resultados da prática médica homeopática, a homeopatia desde o seu nascimento até a atualidade vem sofrendo constantes ataques. Como ilustração gostaria de citar um trecho das palavras proferidas pelo ministro da instrução pública na França, Ministro Guizot, quando a Academia de Medicina da França solicitou a proibição do exercício da Homeopatia, em 1835: “Hahnemann é um sábio de grande mérito. A ciência deve ser para todos. Se a Homeopatia é uma quimera ou um sistema sem valor próprio, cairá por si mesma. Se ela é ao contrário, um progresso, expandir-se- á mesmo com nossas medidas proibitivas e a Academia deve lembrar-se, antes de tudo, que tem a missão de fazer progredir a ciência e encorajar as descobertas”.

Trecho da carta de Samuel Hahnemann datada de 19/12/1815: “Em meio a ervas daninhas crescendo por todo lado, a sua volta, ela (nossa arte) cresce lentamente, desapercebida: a semente se faz árvore. O modesto topo da árvore crescente já se eleva acima dos espinhos; as raízes se aprofundam na terra e se fortificam por progressos insensíveis, mas seguros; com o tempo ela se tornará a árvore sagrada, o carvalho de Deus; estenderá seus braços imensos a todas as regiões, inabalável em meio a tempestades, a humanidade, que até então, sofreu tantos males e dores, descansará sob sua sombra benfeitora.”

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